Eu posso estufar o peito e dizer: “Eu venci a morte no dia 23 de agosto de 2011”
Calma pessoal, brincadeirinha... Essa data vai ficar no marco da minha história. Foi a data da minha primeira (única) doação de sangue, e sem dúvida a mais cômica da história do mundo (e do RS também).
Começou com a minha irmã me enchendo no MSN pra ir doar sangue e eu negando. Até que de tanto ela insistir, em um momento de bobeira minha, disse que ia...
Primeira hora da tarde e eu lá no hospital, já compadecendo, junto de minha fiel máquina fotográfica, para registrar esse momento ímpar da humanidade...
Fui o 1º da família para enfrentar essa terrível dor... claro se ali eu morresse, teria apoio de todos eles que ali estariam, sem me abandonar...
Primeiro a longa espera e ouvi a voz de uma enfermeira a me perguntar: “Todos aqui para a doação de sangue?” Ali, ouve um pingo de esperança em mim, e no meu instinto de sobrevivência respondi: “Tem opção de doar alimento não perecível no lugar?” Para delírio geral dos presentes ao meu massacre...
Nessa longa espera, só momentos com minha inseparável Kodak para suportar tal sofrimento psíquico que ali se iniciava...
Primeira chamada, “-Marcos Joel Duarte da Silveira”... Congelei com apoio de minha irmã... é só para perguntas... Criei coragem, me levantei bravamente e fui para a sala...
No meio de tantas perguntas, eu ardendo em dores psíquicas, respondendo sobre coação diversas perguntas, entre elas: “Alguma DST?” com meu instinto falando mais forte retruquei “Se tiver alguma não pode doar?” Ouço o som apavorante da enfermeira “NÃO”... E me aliviando completei... “se é assim, tenho todas...”
Mais algumas perguntas do tipo “Bebida alcoólica?” Senti coragem nesse instante e pedi duas doses para mim...
Chegando de perguntas torturantes, fui ao aguardo do abatedouro novamente.
Só que para a segunda chamada, quase desmaiei ao ouvir o paciente da frente comentando “essa do dedo é que mais dói”... Ali, naquele instante, passou tudo em meu ser... Minha sorte que em bolso de meu casaco estava anotado todas as senhas de minhas redes sociais...
A coleta de sangue no dedo... lá vou eu... E para meu espanto... não doeu nada
Volto a sala de tortura, angustiante, a espera da terceira e fatal chamada... Ouço barulhos de serra vindos da sala de abatedouro, vindo um comentário meu ao natural “Se alguém der um grito eu desmaio...”
Era chegado o momento, eu ousando citei o mesmo comentário do grande Mestre dos Mestres: "Pai, se é da tua vontade, afasta de mim este cálice! Contudo, que não se faça a minha vontade, mas a tua!"...
Entrei para a derradeira chamada, uma agulha perfurando meu ser, meu sangue inocente escorrendo pelas vertentes, e uma luz se apagando... Era eu pálido, com ânsias e mais ânsias, dores e sofrimentos, quando ouço uma pergunta: “Você está bem?” Sem resposta, vejo uma enfermeira correndo em desespero, e ali eu vejo a luz do fim do túnel...
Viram-me de ponta cabeça, esperam minha coagulação voltar ao normal e declaram: “volte daqui a 15 dias buscar o resultado e a carteirinha” Mas o certo é que só voltarei lá depois de meu tratamento psíquico...
Esse é meu conceito de como doar sangue... Se você tem algum medo de doar, leia esse texto e seu conceito continuará o mesmo para sempre...
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